segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber 

Mercedes Sosa

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


Desenho Marlowa


Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero de amor


Vanessa da Mata 

 Desenho Paulo Stocker


Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.



Eugénio de Andrade

quarta-feira, 18 de novembro de 2009


 
Foto Reuters

Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar


Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar



Herbert Vianna

Ps: presente mais que lindo!!!!!!!!!!


Desenho Pandorga 300

Passa o tempo, lento ensaio
Espero você aqui
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Calo invento, quieto falo
Trago você aqui
Lato intenso em detalhes
Quero você aqui

Abro e vejo da janela
Fogos de artifício
Estrelas em mosaico
Vidro opaco a luzir

Vasto imenso, feito em partes
Fácil para construir
Rasgo ao meio em metades
Acho você dentro de mim

Seu brinquedo imaginário
Feito pra te distrair
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Noite inteira, fim de tarde
Meu calendário marca o infinito
Em trincheiras que escavo
Acho você dentro de mim

Assim como o sal feito no mar
Azul como o céu e a imensidão
Que enche o pulmão de pleno ar
Achei seu lugar meu



Samuel Rosa e Nando Reis

Foto Sig Pereira


Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.
Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.
Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.
Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.


Hilda Hilst 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Foto Ana 0019

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo

E viva Dominguinhos!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Foto João Paulo Redondo


Não se afobe não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
num fundo de armário
na posta restante
milênios, milênios
no ar

E quem sabe, então, o Rio será
alguma cidade submersa,
os escafandristas virão
explorar sua casa
seu quarto, suas coisas
sua alma, desvãos

Sábios em vão
tentarão decifrar
  oeco de antigas palavras,
fragmentos de cartas, poemas
mentiras, retratos
vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
que nada é pra já
amores serão sempre amáveis
futuros amantes, quiçá,
se amarão sem saber
com o amor que eu um dia
deixei pra você


Chico Buarque 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


Foto Dida Sampaio

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo


Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto que talhei
o sabor do sempre


Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida


Mia Couto

Pro Renato, com todo amor que possa caber em minh´alma!






Foto Sérgio Velho 

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...


Caetano Veloso